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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Paredes


Sabe aquela sensação de não se sentir pertencente? Quando você sente que tudo a sua volta, as paredes, os móveis, tudo, não tem querem naquele lugar? Que até pra eles você não é bem vindo. Mas você não tem pra onde correr, porque tudo que você tem é aquilo. É isso que eu sinto. Não me sinto parte integrante do todo que eu vivo. Uma exceção. Um diferente no meio de tantos iguais. Um igual no meio de tantos diferentes. Diferentes de mim, apenas. Um diferente que é excluído, deixado à margem, em segundo plano. Um peixe fora d'água, mesmo sabendo que aquela água veio do seu próprio aquário, mas que, mesmo assim, ela não está nas suas condições ideais para a sobrevivência. E isso vai matando o animal lentamente, sem que ninguém perceba, somente ele próprio. O que é preciso fazer pra mudar essa situação? É preciso que eu mude? Que eu renuncie minha possível futura felicidade a fim de me adaptar ao mundo? Ou que continue sendo quem sou e sofra pressões, assim como hoje? Qual me parece a melhor maneira de ser infeliz? Nunca descobrirei.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Gritos no silêncio



Pensei por horas, levantei, abri a janela e gritei bem alto. Sempre guardo tudo que acontece comigo. Não consigo me abrir, me livrar dos meus problemas. Não que isso faça bem pra mim. O grito só serve para aliviar a minha dor. Nunca sofri tanto por uma pessoa quanto agora. Será que tudo que fiz foi em vão? Largar minha vida encaminhada, meu emprego, tudo! Só pra você! E parece que isso não valeu de nada. Agora passo meus dias nesse quarto, já não tenho mais televisão, muito menos internet, sem contato com o mundo... E, o pior, sem sua presença! Sofri tanto durante esses anos, sempre calada. Mas acho que me acostumei com essa situação. Tudo o que eu não queria era te magoar. Aceitava tudo o que me falava, me contava, me iludia. E tudo isso por amor! Fiz isso tudo porque te amei muito! Ainda amo... E de que valeu? Encontrar você com outra na nossa própria cama? Guardei tudo pra mim durante esses anos todos. E só ilusão! Tudo o que eu vivi durante minha vida toda mal passou de um conto. Um conto de fadas que sempre idealizei na minha cabeça e que tentei ao máximo transformá-lo em realidade. Mas tudo não passou de uma história de terror...
Agora estou aqui, sem vontade de fazer qualquer coisa. Sem família, sem amigos... Renunciei a minha vida pra ficar com você! Larguei, briguei com todos... Só por sua causa! Só porque você não ia com a cara deles. Mas, afinal, com a cara de quem você vai, não é mesmo? Acho que nem a sua! Acho que você faz isso tudo só para ter uma alegria. Nunca conseguiu nada sozinho. Sempre eu estava ao seu lado, expondo suas qualidades. Qualidades que eu pensava que você tinha.  E é isso que eu recebo. Hoje vejo que todas elas eram fruto da minha mente apaixonada. Será que um dia você realmente me amou?
Estou sem chão, nada me move a continuar vivendo. Minha única alegria é comer. Estou muito mais gorda que antes. Satisfeito? Agora não vai ser difícil me trocar por uma mais magra! Olha só, eu, que sempre tive um corpo perfeito, abrindo mão dele só por você. Logo você, que me deixou nesse estado. Eu mereço? Era eu quem devia ter feito o que você fez comigo! Nunca entendi porque me casei com você. Ah, é o amor, esse sentimento idiota! Veja só, você não tinha nada a acrescentar na minha vida! Só passar por humilhações, raivas!
Tento pensar menos em você. Mas não consigo. Qualquer cantinho desse apartamento me faz lembrar você. Seja no fogão, que antes era meu melhor amigo, quando me matava de cozinhar pra você, hoje, é meu inimigo, me obrigando a comer mais e mais. Por sua causa. Seja a cama. Ah, lá eu tenho certeza que você viveu momentos felizes. Ao contrário de mim... Nunca consegui sentir nada. Mas nunca falei, tinha medo de te magoar, de te deixar triste. Mas hoje vejo que não. Que se eu não senti nada, foi sua culpa! Só sua! Você deveria ter se preocupado comigo. E nada! Nem um ‘como vai?’ eu recebia!  Nunca! Por isso que me tornei o que sou agora. Pareço mais um monstro do que uma mulher. Sua desvalorização fez com que eu parasse de cuidar de mim, de ir ao salão, de ir ao médico, de fazer algum exercício físico. De fazer o que eu realmente sempre gostei. Aliás, você sabe das coisas que eu realmente gosto? Mas, mesmo assim, você não me notava nem feia. Foi por isso que me trocou. Se nunca gostou de mim, por que me enrolou por tanto tempo? Por que me traiu? Você queria que eu me humilhasse. Você queria ter pena de mim! E rir da minha cara. Conseguiu.
E é por isso que eu grito. Grito por não conseguir falar isso tudo pra você. Grito por continuar nessa situação. Por, mesmo depois de tudo, continuar com você. Continuar te amando. Continuar aceitando tudo que passou e tudo que vou passar. Grito por ainda não ter coragem de mostrar meus sentimentos. Grito, grito, e só grito. Grito na esperança de que um dia você perceba o mal que está fazendo comigo. 

sábado, 19 de novembro de 2011

Sentimento, pra que?

Agora é o momento certeiro. Chegou ao ponto. Aquele ponto decisivo. Aquele chave. Será que vale a pena investir, mesmo sabendo que a minha cara vai ser quebrada logo em seguida, como sempre? Por que será que eu sempre me imagino numa relação, desde a primeira vez? Qual a minha dificuldade em deixar as coisas caminhar por elas mesmas? Sou muito afobado, quero tudo pra hora, sou pós-moderno, enfim. Mas como fazer se eu sou assim, se não sei deixar o tempo pensar e, enquanto isso, deixar a minha vida passar? Quantas dúvidas. Tudo o que eu queria é não ter sentimentos. Eles sempre acabam nos traindo. Queria ter nascido bem no começo da modernidade, onde todos colocavam a razão sobre o sentir. Queria não me relacionar com as pessoas, assim, não me decepcionaria com elas. Ou não me decepcionaria comigo. Ou não deixaria que meus sentimentos me fizessem acreditar em certas coisas que de fato não existem. Coisas que, imaginando, idealizando, pegando outro sentido, cheguei á conclusão. Sem ao menos duvidar, questionar. Quanta falta de atitude! Será que um dia vou aprender?

domingo, 13 de novembro de 2011

Que vida, a minha

Como eu posso ser tão idiota assim? Já cantei "Já Foi". Já me desliguei. Ou tentei. Já parei de correr atrás. Já deixei de ser criança. Já tentei me tornar frio e não demonstrar sentimentos. Nisso falhei. Já me propus ser outra pessoa que não sou. Não consegui. Sempre acabo na mesma, sempre stuck on repeat. Sempre. Não tem nenhum momento na minha vida em que não me sinta assim. Sempre faço as coisas, tento mudar. Mas parece que isso tudo de nada adianta. Sempre acabo fazendo as mesmas coisas, cometendo os mesmos erros. Voltando naquilo que prometi pra mim mesmo que nunca mais faria. O que acontece quando a gente descumpre a promessa que nós mesmos fizemos? Será que nem a auto punição serve para amenizar esse sentimento de "opa, fiz merda, de novo!"? Não, certeza que não. Não aprendo.
Se isso fosse uma escola, tinha repetido nessa matéria inúmeras vezes, seja com professores diferente ou os mesmos. Mas todos com a mesma características, me forçando a aprender as regras do estudo. E eu, sempre aquele aluno rebelde, se relutando em tentar entender aquilo tudo. Ou fingindo que aprendia aquele tudo. Pra na hora da prova, errar tudo e tirar um feio e enorme zero. E mesmo com as inúmeras repetições e bombas, eu   não gosto. Parece que eu gosto de jogar algo fora, no caso meus sentimentos. Que são alimentados durante as aulas. Só crescem e pra no final, serem jogados no lixo como um papel de bala. O que tenho que fazer? Mudar de escola? Fugir do problema? Não! Exijo encarar ele de frente.
Mas como, vestir uma armadura e ser mais alérgico ao amor? Ou deixar que façam sempre isso comigo e não me importar mais? Mas esse não é meu jeitinho! Aprendi que não posso mudar pra agradar os outros. E é questão de poder, sim! Eu estaria lutando contra aquilo tudo que sou a favor. Contra a liberdade de expressão, contra a diversidade! Contra um mundo sem máscaras! Não, não, não sou desses. Então, o que fazer? Mudar minha postura, não minha essência. Tentar me envolver menos parece uma boa saída. Tentar acreditar menos nas pessoas também. E, sobretudo, ter mais confiança em mim. Parece difícil, mas dessa vez vou tentar fazer a lição de casa do jeito que ela sempre teve que ser feita. Tentar, tentar, até passar, sem recuperação. Será que consigo?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O amanhã

É incrível como há somente o desejo de mudança a partir de um momento crítico. Quando está tudo aparentemente bem, ninguém quer alterar, do jeito que está, está ótimo. Não quer uma melhora. Costumo dizer que esse é um estado de conformação. Até quando não está tudo bem, a gente se vê obrigado a se conformar, mesmo achando que não deveria fazer tal atitude. E isso acontece tanto em nosso dia-a-dia que acaba virando rotina. Conformar com um trabalho que não gosta, com uma relação indiferente com uma pessoa que você não vai com a cara, com as imposições da sociedade... Penso que tudo que nos cerca depende disso. É literalmente a conformidade do mundo. Quando alguém tenta fugir desse padrão, é tachado como crítico, como esquisito, diferente. E deveria ser realmente o contrário! Ficou tão comum essa passividade que a pessoa que tenta mudar é vista como louca! Quando vemos pessoas que largaram um emprego estável para se aventurar em outras áreas, mais interessantes pra elas, achamos que elas são loucas! Como largaram a estabilidade para investir em algo que realmente gostam? Ou sei lá, tentar crescer mais no emprego, ter o anseio de alguma coisa! Lógico que não podemos ignorar o que vivemos no passado ou nossa situação atual. Temos que ver que tudo que passamos na vida é motivo para crescermos, para aprendermos novas coisas. Por isso acho que valorizar o passado e o presente é extremamente importante, porém não podemos deixar que eles influenciem na nossa vida futura. Questionar, investir, procurar algo, um novo desejo, um crescimento. É assim que eu vejo minha vida, nunca quero ficar preso num ponto, mesmo que ele seja favorável a mim. Quero algo novo. Quero mudança. Quero sempre mais e mais. Ser cada vez mais competente, mais interessando em minha profissão, ser mais feliz em minha vida pessoal... Buscar sempre o melhor pra mim, o intrigante, o duvidoso, e, mesmo não dando certo, ter aquela gostosa sensação de pelo menos ter tentado, de não arrependimento. Mas sempre em direção ao novo, ao movimento. Nunca à conformação.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu, pós-moderno

Aprendendo, reclamando e pedindo.
Nunca ouvi falar tanto em pós-moderno como hoje. Tudo bem que meu curso de Comunicação exige esse conhecimento. Mas será que precisava ser tão explícito assim? Em todas as matérias, não é possível! Antes fosse só durante a aula... Sou obrigado a ouvir falar desse termo em todos os meios de comunicação e até mesmo naquelas coloquiais que a gente ouve no ônibus. Tudo bem que a maioria das pessoas não tem noção do significado do termo "pós-moderno" em si, mas falam sobre ele todos os dias, o dia todo, sem se darem conta, inclusive. É quase impossível de se escapar dele. Tudo o que eu queria é que mudassem esse maldito assunto!
Mas vejo que apesar dele ser discutido o tempo todo e causar o meu cansaço, não consigo viver num mundo que não seja pós-moderno. Nasci nele e acho que morrerei nele. Abuso dos sentidos, exploro ao máximo meus sentimentos. Gosto de mudança, sou, inclusive, muito instável. Até meus relacionamentos são a cara do pós-moderno. Instáveis, mutáveis, rápidos. Então, sou a cara daquilo que não gosto?

Eu sou a resposta que procuro.
Eu sou o pós-moderno! Não conheço ninguém que represente tão bem o seu tempo como eu. E uma pessoa que, mesmo concordando e amando as características provenientes desse período, não aguenta mais falar sobre ele. Tem coisa mais pós-moderna do que isso?
 Eu sou a certeza do meu mundo.
E se, repentinamente, mudássemos de período? Seria fácil me adaptar? Acho que não... Mas, e quando eu me adaptasse? Será que aguentaria a intensa fala sobre esse período imaginário? Não consigo nem pensar nisso, nem planejar meu futuro. Aliás, essas suposições são tão pós-modernas! É, definitivamente nasci para o pós-moderno! Não me adaptaria mesmo a outro tempo.
 Hoje eu vou enfrentar minha dor.
E assim continuo sendo eu. Sendo exemplo feliz e infeliz do atual, renegando e afirmando seu próprio destino.
Vou viver, merecer meu amor.
 "Eu Sou (Vertigo)" - Wanessa

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Egoísmo?

Como descrescrever isso que eu sinto agora? É uma mistura de entusiasmo com insegurança e incerteza. Algo que nem sei se é verdade ou se é só algo que minha imaginação criou pra trazer um pouco de movimentação. Se for isso, conseguiu! Há tempos minha cabeça não fica tão ocupada com alguma coisa. Aliás, acho que ela não ficou nunca tão ocupada como está hoje. Não que isso seja ruim, mas também não é a melhor coisa do mundo. Paro de me concentrar nos estudo, me desligo dos meus amigos e mal como, numa atitude que, não tendo um outro termo melhor, chamo de egoísmo. Egoísmo de se fechar para o mundo e se concentrar somente em si, mesmo que isso represente pensar mais no outro do que em si próprio. Vou além: posso até dizer que essa atitude egoísta mostra que você queria ser o outro. Assim, pensando no outro, vai pensar no eu que queria ser. É uma teoria muito louca, mas eu acho que quando se entende ela é facilmente comprovável. Então, a recíproca seria verdadeira? Será que quando pensamos aparentemente no outro estamos pensando em nós mesmos? Eu acho que sim. Se temos a meta de vida de encontrar a felicidade e ela só é possível com a presença do outro, quando pensamos na felicidade desse outro temos, acho que conscientemente, a meta de encontrar nossa felicidade. Nem sei se sobe me explicar direito, mas é uma idéia tão louca que já até estou desistindo dela, não faz sentido nenhum, né? Agora, uma coisa que eu tinha como certa desaparece na minha cabeça como se o vento da minha sanidade soprasse pra fora dela. E escrever sobre os sentimentos cada vez mais se torna difícil e dual...

Celebração do Inútil Desejo

Tinha uma vida estabilizada: mulher, filhos e cachorro. Um emprego em uma empresa multinacional de alimentos, saúde perfeita, corpo em forma... E dinheiro, então? Não podia reclamar de nada. Quem via de fora aquela situação toda, achava que não precisava de mais nada na vida. Mas não era bem assim.
Desejava crescer na empresa, mas, como o cargo que eu tinha, não conseguiria alcançar nada mais alto. De nada valeram minhas especializações e mestrado... Largar um emprego estabilizado para se aventurar em algo incerto, tinha medo disso, medo de me frustrar e deixar minha família na pior. Aliás, família, era um encosto na minha vida.
Aos olhos de quem vê, minha família era exemplar. Filhos lindos, bem educados e muito inteligentes. Minha mulher cuidava muito bem da aparência e também do intelecto, era uma daquelas cientistas crânios, que desenvolvem vacinas e descobrem novas doenças. Mas em casa era possessiva, cheia de manias e exigia muito de nossos filhos e de mim, principalmente. As crianças eram duramente reprimidas, por qualquer coisinha era colocadas de castigo. Na minha época, era até saudável fazer esse tipo de coisa. Era melhor aprender com os erros. E meus filhos de nada aprendiam com esses castigos, só conseguiam nutrir um sentimento de ódio pela própria mãe. Eu, sempre contra tais atitudes, nada podia comentar. Estaria tirando a autoridade da mãe, fora que seria duramente reprimido.
Minha mulher ficava alerta a cada ligação que recebia no celular. Quem quer que fosse, ela perguntava. E sempre era algo relacionado a trabalho. Nunca saía com meus amigos de faculdade, nem pra tomar um chopp no happy hour depois do trabalho, por puro medo dela. Já ela, saía sempre. Quase toda semana saía com as amigas. Bom, pelo menos é isso que ela falava que ia fazer, mas eu nem me importava. Já não tinha mais ciúmes dela, acho que nem gostar dela mais eu gostava. Toda aquela atitude me deixava com nojo. A única coisa relacionada a ela que eu me preocupava era sempre usar camisinha durante o sexo. Tudo bem que não estava acontecendo muito ultimamente, mas meu medo era de ela contrair alguma doença nessas saídas com as amigas e passar pra mim, que nem gostar dela eu gostava. Lógico que ela reclamava, mas eu alegava que estava fazendo um tratamento e que teria que usar o preservativo por um bom tempo. Até procurei na internet o nome de uma doença que pedia esse tratamento. Ela, cientista, saberia logo se eu estava mentindo. Precisava me preparar.
Não aguentaria essa situação por muito tempo. Estava casado há uns cinco anos e todos eles com essa infelicidade. Meu emprego estava por um fio. Não por minha culpa, pois quando sinto dor, produzo mais. Mas pela empresa em si. Ela não andava bem, tinha dívidas e a sede Nova York estava prestes a falir. Já sabia que meu trabalho não ia durar por muito tempo. Era a chance que eu precisava. Sem me desligar da empresa, comecei a procurar emprego em outros lugares. Queria realizar outras funções, começar do zero, quem sabe fazer outra faculdade? Sempre quis fazer gastronomia, mas por pressão do meu pai, acabei fazendo administração. E essa decisão foi tomando magnitude tão grandes que resolvi acabar com o meu emprego naquele mesmo instante. Não queria ver aquilo que construí com tantos anos de esforço se desmoronando. O melhor que tinha a fazer era aquilo mesmo. Com dor no coração fui ao meu chefe, entregar a carta de demissão. Ele lamentou, mas sabia que ele estava satisfeito com a decisão: teria um salário a menos a pagar.
Mas acho que a pior consequência do meu ato seria a reação da minha mulher. Ela faria eu ir lá de volta, implorar pra voltar. Mas meu espírito turrão e cabeça dura não iria permitir fazer isso. Decidi que não iria falar pra ela. Sairia de casa todos os dias e voltaria no mesmo horário. E nesse tempo procuraria alguma coisa pra fazer. Meu plano era trabalhar como gerente num estabelecimento pequeno e começar a estudar, fazendo o que eu realmente sempre quis. Não precisava de faculdade, não tinha tempo pra isso, um curso técnico estava de bom tamanho.
Arrumar um emprego não foi difícil. Mas o salário era metade do que eu recebia antes. Com o tempo, comecei a eliminar meus luxos. Mas não me dava bem com isso. Poderia até pedir dinheiro para minha esposa, mas, nunca! Ela nunca me perdoaria por ter enganado. E meu ego não deixava, também. Foi então que meu vi numa decisão: queria me separar. Não ia ter cobranças, poderia fazer o que bem entendesse. Teria dificuldades, ela não iria aliviar na pensão dos meus filhos. Mas, mesmo se eu gastasse o seu dinheiro todo com isso, não deixaria minhas crianças passando dificuldades.
Falar tudo isso para a esposa foi mais fácil que pensava. Ela aparentemente aceitava tudo tranquilamente. Mas, peraí, essa não era a atitude normal dela. Tinha uma coisa estranha acontecendo. Ela só poderia estar me traindo. Pela primeira vez em muitos anos eu estava com ciúmes da minha mulher.
Quando me dou por mim, estou sentado no meu antigo escritório. Antigo nada, atual. A empresa estava longe de falir e minha vida continuava naquela mesma. É, será que devia encarar uma mudança ou suportar a rotina confortante?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Admirável rede nova


Alberto era um pai de família. Beirava os cinqüenta anos. Tinha um casamento que vivia só de aparências há uns bons seis anos. Filhos, dois meninos, bem educados. Mérito da mãe, diga-se de passagem. Um emprego meia boca na firma do cunhado. Não soubera aproveitar as oportunidades. Não fez faculdade. Tinha um sonho de ser advogado, quando criança. Desistira por ser muito difícil e ter que ler muito. Não era muito dado a leituras. Foi muito mimado pela mãe e, em seguida, pela esposa. Na empresa, mal precisava trabalhar, atendia só alguns telefonemas durante o dia. Sabia que seu cunhado não o demitiria. O restante de seu tempo ele ocupava com seu principal divertimento atual (nem tão atual assim, já havia três anos): observar menores de idade pela webcam. Fechava a porta do seu gabinete, ativava as persianas da janela que dava para rua. E entrava no chat. Conseguir um menino que topasse ligar a câmera era fácil, ainda mais em tempos de Big Brother. Começou a usar o computador há uns seis anos. E nesse tempo fizera grande progresso nas descobertas da rede. Primeiro, descobriu os sites de fotos de criança nuas, mas aquilo não era o suficiente. Passou a se comunicar com os jovens através de um Orkut fake. Sua boa aparência, apesar da idade, sempre contou para a persuasão dos meninos. Tinha até um Messenger exclusivo para falar com seus pequeninos, como dizia.
 Suas vítimas preferidas iam de catorze aos dezesseis anos. Se passasse um mês sequer disso, dispensava, já considerava velho. Ele não tinha nenhum tipo de culpa. Não via mal nenhum em observar a beleza e a inocência desses jovens, segundo ele mesmo pensava. Na sua cabeça, o que era errado era encontrá-los pessoalmente para alguma coisa a mais. Mas não! Longe de ele fazer isso. Isso sim era errado! Pela internet, na informalidade, tudo era válido. Não mostrava o rosto, nem fazia questão de que os meninos mostrassem também. Só queria ver o corpo e o sexo deles. Muitas vezes queria fazer mais, além de ver. Perdeu as contas de quantas vezes se masturbara olhando aquelas crianças fazendo o mesmo. Muitas vezes sentiu vontade de encontrar, mas, seus valores o impediam.
Para ele, o fato dele só gostar de ver crianças do sexo masculino não significava que ele era gay. Pelo contrário, ele gostava de mulher. E muito. Quase toda quinta-feira depois do serviço ia se divertir com garotas da vida, essas, maiores de idade. Mas fazia anos que não tinha uma relação sexual com a esposa, nem recordava de como tinha sido a última. Provavelmente havia sido pouco depois do nascimento do segundo filho. O tesão por ela havia acabado quando a vira toda gorda e cheia de marcas, devido à gravidez. Não lembrava se a primeira vez fora assim. O bom das prostitutas era que elas nunca envelheciam e nunca engravidavam.
Um dia, como todos os outros, abre o chat e começa a conversar com os garotos. Um chama atenção de Alberto. Era educado, não usava abreviaturas e tinha um português muito bom. Destacava-se frente aos outros que só falavam linguagem de favelado, segundo o coroa. Ganhou pontos. Tinha quinze anos. No ponto. Logo, trocaram os endereços do Messenger. Quando viu a foto do corpo rapidamente pensou: hoje vai ser com esse. O papo estava muito bom, conversavam sobre tudo, mas quando Alberto pedia para o garoto abrir a câmera, este relutava. Mais difícil era melhor. Conversaram por umas boas três horas e estava quase na hora de sair do trabalho. Precisava bater uma ali mesmo, rápido, mas tinha que ser com esse menino. Insistiu mais vezes até que ele finalmente aceitou. Ligaram a webcam. Surpresa. Ele sabia que conhecia aquela barriga de algum lugar. Será que era de alguém que ele já havia tido intimidades virtuais? Mas não, aquele corpo ele já tinha visto na realidade. Como, se não tivera uma relação de fato com nenhum menino? Até que viu uma marca em cima do peito esquerdo. Reconhecera de onde conhecia. Era seu filho mais velho. Ficou por uns minutos petrificado. Fechou a câmera, deletou o Messenger, bloqueou todos os sites que usava e prometeu para si mesmo que nunca mais faria isso. Mas, nem ele mesmo confiou em sua promessa.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Carta à uma incógnita

Caro amigo,

É, acho que nem amigo é uma designação certa. Nem sei se isso foi ou é amizade. E já que não foi namoro ou casamento e muito menos envolveu amor, não sei como designar nossa relação, no momento, amigo se tornou a palavra que acho que mais se encaixa. Mesmo podendo ser uma amizade falsa ou até mesmo inexistente. Mas, ao mesmo tempo não posso negar que houve uma relação de carinho, pelo menos pela minha parte. E, acho, que da sua parte, também. Ou não. Ou foi pelo fato deu achar que teve essa reciprocidade na troca de carinhos que achei que poderia dar em algo... Mas pelo visto não, né?
Estou me sentindo o maior idiota do mundo por ter pensado isso. Acho que minha imaginação é muito fértil e, por imaginar tanto, não consigo arrumar ninguém pra mim.Podia ter deixado como estava antes. Quem sabe a uma altura dessas estaria escrevendo uma mesma carta pra você. Mas essa seria para um amigo de verdade, não para um amigo fantasma, que nem sei se chegou a existir.
Pensando bem, acho que a culpa não foi inteiramente minha, se é que existiu culpa. Ao mesmo tempo que eu idealizava demais, como sempre faço, você dava base pra todos os meus pensamentos. Sendo carinhoso, puxando assunto, falando coisas bonitas. Não vejo motivos pra você ter feito isso, já que não queria nada comigo. Será que sou uma experiência científica sua? Quer ser especialista em rasgar corações? Pois a primeira vítima você já conseguiu. Aliás, nem devo ser a primeira.
Espero que você tenha um futuro brilhante, você sabe que, apesar de tudo, ainda torço muito e nunca desejaria seu mal. Foi ótimo esse tempo de convivência e, quem sabe, um dia, vou poder te chamar verdadeiramente de amigo. Pode demorar, mas acho que um dia a gente consegue.









How to save a life?

domingo, 31 de julho de 2011

Coisas da vida

Último dia de férias. Momento ótimo pra fazer um balanço desses dias de descanso, que me deixaram mais cansado do que qualquer outro grupo de dias. Nunca vivi tão intensamente esses dias. Saí bastante. Conheci novas pessoas. Me aproximei de outras que eu só conhecia e hoje eu posso chamá-las de amigo. Me apaixonei, mais de uma vez. Quebrei a cara o mesmo número de vezes. Me decepcionei. Me aproximei dos meus amigos. Gastei boa parte do meu tempo na internet e televisão, que, pra mim, é ótimo. Aliás, dependendo do dia. Viajei, conheci lugares e culturas novas. Aprendi coisas novas. Aprendi a conhecer a realidade dos outros e a mostrar a minha realidade também. Fiz coisas que eu nunca imaginei fazer. Enfim, acho que aprendi muito mais do que num semestre sentado na cadeira vendo aula. E quem disse que férias é momento de ócio?

sábado, 30 de julho de 2011

Às vezes

Às vezes a gente faz com o outro o que não quer que façam conosco.

Às vezes investimos muito em algo que já se sabe que não vai dar certo.

Às vezes nos arrependemos, mas logo em seguida repetimos. E juramos não fazer de novo. Tudo em vão.

Às vezes a gente não sabe o que quer na vida. E atira pra todos os lados.

Às vezes não vivemos a vida como ela deve ser vivida. Pensamos demais, de menos.

 


 

 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A crise energética


É. Já vi que vou perder mais um dia de viagem... Mas quem manda tomar energético poucas horas antes de dormir? Se bem que era a única coisa que tinha pra beber e a sede me consumia. Agora o que me resta é ficar escrevendo aqui até que o sono apareça. Mas já era. Mesmo se eu dormisse agora, iria descansar só umas quatro horas e isso pra mim é quase nada. Só estou falando isso pra tentar me convencer que ficar acordado é a melhor opção, mesmo sabendo que está muito longe de ser. Escrevendo isso acho que me sinto menos culpado por não estar na cama a essa hora. Aliás, eu estou na cama, só não estou fazendo uso dela como deveria. Arrumo coisas pra fazer. Conserto o relógio, que estava quarenta segundos atrasado. Vejo televisão, nada de interessante passando. Caminho pelo quarto, bebo água. Mas nada adianta. O tempo não passa e o sono não vem. Nem sei qual é o pior. Se pelo menos eu tivesse me computador aqui... Ah, mas acabo de lembrar que se aqui já é quase uma hora da manhã de domingo, lá deve ser umas nove da noite de sábado. Ou seja, eles devem estar se arrumando pra sair ou até mesmo já sairam. Ainda sim, meus amigos não são tão ligados em internet assim. Aposto que se fosse ontem a tarde eles mesmo assim não estariam usando o computador. E mesmo se estivessem, eu não estaria, então eles não poderiam se comunicar comigo. Enfim. Minha última esperança era que ao longo desse texto eu encontrasse o número suficiente de carneirinhos para me fazer dormir, mas já vi que não. Escrever me deixou mais elétrico. Parece que repeti a dose de energético. Muito bom, hein. Tudo o que eu não queria. Mas e agora? O que fazer? Descer pelas ruas da cidade e ficar vagando como um andarilho? Me parece uma boa. Mas é aí que não durmo mesmo. Será que nesse país existe maracujá? E, se existir, onde eu arrumo um agora? Boa pergunta. Enquanto tento achar as respostas para elas, vou bebendo água e desejando muito bem á mãe de quem inventou o Red Bull.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Diga que

Ando muito emotivo ultimamente. Não posso ver uma cena de amor numa simples comédia romântica água com açúcar que uma lágrima já sai do meu olho. Não consigo mais ouvir uma música triste que eu já me sinto triste também. Triste não. Angustiado. Na verdade, nem é isso. Não sei bem o que eu sinto. É a falta de alguém misturada com uma vontade de liberdade, que eu não conseguiria se eu tivesse uma pessoa. Quer dizer, eu acho que é isso. Por que bem na verdade, nem eu mesmo sei o que eu quero agora. Já desisti de encontrar a pessoa ideal. Acho que eu nunca vou encontrar uma pessoa que seja exatamente do jeitinho que eu quero. Até porque eu sou muito criterioso. E, confesso, muito chato também. Se tiver uma coisa que não me agrada, por mínima que seja, eu já descarto. E vou nessa busca incessante. Tento com um, com outro.. No começo pode ser até que eu acredite ter encontrado. Mas normalmente esses relacionamentos são os que eu mais quebro a cara. Descobri que não se pode esperar muito de um início de relação. Não pode achar que está namorando logo depois do primeiro beijo. Um relacionamento é bem mais do que um beijo. E é só o tempo que pode mostrar se valerá a pena arriscar ou não. Pelo menos minhas quebradas de cara serviram pra algo além de me deixar deprimido. Mas, pensando bem, esse sentimento depois do término de um relacionamento, por menos "intenso" que seja, é um ótimo momento para repensar o que fez, medir tudo, ver como sua vida está e aí procurar respostas para o temido 'o que vou fazer no futuro?'. Ou seja, é um tempo para pensar em si mesmo. Pode parecer egoísta, mas se não pensar em si, não vai crescer. E vai repetir os mesmos erros. E se não houver respostas para o futuro, não se incomode ou preocupe: o próprio te dirá na forma de presente.

domingo, 26 de junho de 2011

Medo


Existe coisa pior que a dúvida? Olha eu aí de novo com mil coisas na minha cabeça. A gente demora tanto para encontrar alguém que segundo nossa própria intuição valha a pena que nem sabemos como agir. Medo de fazer alguma besteira que atrapalhe com o andamento da relação. Medo de falar coisa que não devia. Medo de não falar nada. Medo de se apaixonar de novo. Medo de fazer planos pro futuro e acabar quebrando a cara como outras vezes. Medo de não ser nada aquilo que a gente pensa. Medo de ter medo.
Mas, qual relação não começa assim? O problema é que não existe uma receita pronta pra se seguir quando começa um relacionamento. Se fosse assim ia ser muito fácil. Todo mundo seguiria essa regrinha e estaria lá, namorando, feliz da vida. Ou não. Acho que o que dá gosto na relação, ou no embrião de uma, é esse mesmo sentimento de medo. Ou todos esses sentimentos de medo juntos. Esses medos nos fazem valorizar mais os sentimentos. Até porque só agimos com os eles nessas situações, e o medo é o responsável por nos colocar firmes no chão, injetando um pouco de realidade nesses momentos onde o coração é predominante. Apesar de nos martirizarmos com o medo, ele é fundamental para que a relação funcione bem. E as perguntas são um tempero a mais. Sinal de que você está empolgado com tudo que está acontecendo e pode vir a acontecer. E se não der certo, não siga a receita, sofra, tenha medo, questione. Um dia valerá a pena.

domingo, 19 de junho de 2011

Olha a vida

Fiquei algum tempo sem saber o que devia escrever aqui. Tentei até começar, mas a criatividade não deixava. Pra falar a verdade, não sei o que vai sair disso que estou digitando. Talvez nem vá pra frente. Talvez seja meu melhor texto, o que não é muito dificil. Muito menos sei o que eu vou escrever. Mas uma força dentro de mim fala que eu não vou conseguir dormir em paz sem colocar aqui ou em qualquer outro lugar o que eu sinto. E é isso. Mas, pensando bem, não sei o que eu estou pensando agora. Quer dizer, até sei. É uma mistura tão grande que eu não sei distinguir cada sentimento que passa em minha cabeça. Não sei se é falta, carência, ou se é uma vontade de aproveitar a liberdade. Quem sabe estou procurando uma liberdade acompanhada? Talvez esteja procurando até mais coisa que devo em mais pessoas do que se deve? Será que estou fazendo as coisas de maneira errada? Será que estou fazendo muito? Ou pouco? Como devo me portar? É bem isso que tá na minha cabeça, com ainda algumas outras coisas que ainda não consigo passar pro papel, mas que ainda sim martelam minha cabeça. Sei que eu sou o senhor do meu futuro, mas é isso? Eu não posso ficar de braços cruzados esperando tudo passar. Esperando os problemas dos outros se solucionarem e os meus continuarem na mesma. Esperando que um milagre aconteça na minha vida e que ela mude radicalmente. Ser senhor do futuro é fácil. Quero ver participar ativamente e assim focar a vida em algo que realmente você se interessa. E isso não é o que está acontecendo na minha nesse momento. Eu acho que fui deixando os acontecimentos passarem por mim e eu fui deixando, relevando, não aproveitando como eu hoje acho que deveria. E isso tudo foi tão rápido que eu fiquei assustado. Eram tantas coisas, novidades, aproveitei tudo de uma vez. E agora? O que mais falta pra eu fazer? Sentar, reclamar, esperar o tempo passar? É isso que estou fazendo. Mas não estou satisfeito não. Quero tentar mudar meu futuro, começando de agora. Fazer uma coisa que eu realmente me orgulhe e sinta empolgado em dzer que eu faço. Algo que me faça querer levantar da cama todo dia seis horas da manhã. Algo que me faça perder um fim de semana. Algo que me deixaria feliz ao realizar. Parar de dúvidas e ir pra ação. Parar de pensar muito e ir pra atividade. E é isso.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

É preciso - Parte 2

 "Toda força vai ficar contigo
Pra quem tem fé na vida
Nada tem perigo
Existe um campeão
Dentro de você
Tua estrela vai sempre contigo
Todo universo se transforma em teu amigo
Existe um vencedor
Dentro de você"

Saí de casa com quinze anos de idade. Tinha tudo o que eu queria. Uma família feliz, comida na mesa todos os dias, uma ótima escola. Não éramos ricos, mas tínhamos uma boa condição financeira. Tinha festa de aniversário todos os anos, os brinquedos do momento... Muitas vezes meus pais se endividavam para me dar o que eu queria. Não me falavam nada, mas eu percebia pela conversa dos dois. Eles até tentavam economizar, mas era só eu reclamar uma vez, que eles voltavam a gastar rios de dinheiro comigo e com meus caprichos. Quando fiz onze anos, os gastos começaram a ficar maiores. Queria ser tão bonita quanto minha mãe. Olha só, uma menina de onze anos querer ficar igual a uma mulher na beira dos seus quarenta? Só nisso já perdi minha infância. Com tanta insistência, mamãe passou a me levar toda semana no salão. Fazia de tudo. Unha, cabelo, maquiagem. E eu só com onze anos. O que a pressão de uma filha não faz com a mãe?
E isso foi durante os quatro anos seguintes. Os gastos eram cada vez maiores. Queria as roupas que minhas amigas usavam. Roupas baratas não serviam. Eu que tinha que escolher e não podia ser qualquer uma não. Era muito seletiva. Meus pais pagavam tudo, sem reclamar. Parecia que era eu que mandava naquela relação familiar. Eles até tentavam colocar limites em minhas atitudes, mas tudo que eles faziam era em vão. Eu, em minha rebeldia, repudiava qualquer tipo de controle e limitação. Não só por parte dos meus pais, mas também pelos colegas da escola ou qualquer outro tipo de pessoa que eu convivia. Já me meti em várias brigas no colégio por esse comportamento explosivo. Fui até expulsa. E não foi só uma vez. Queria ser o centro das atenções, não importando o que tinha que fazer para isso. Uma vez, com doze anos, obriguei minha mãe a me levar para fazer uma tatuagem e um piercing no umbigo. Mamãe rejeitou na hora, porém, com minha insistência, ela acabou cedendo. Acho que foi sõ pra não ne deixar chateada, porque a cara dela ao me levar para o estúdio não era de raiva. Era de tristeza. De desespero. Hoje eu vejo as burradas que fiz com meus pais. Coisa que eu não enxergava, ou tentava não enxergar. Digo isso porque me sentia mal fazendo aquilo. Mas não conseguia evitar, fui tola e me deixer levar por cada coisa boba! Nesse dia do piercing senti que minha mãe estava muito decepcionada comigo. Ela viu que eu não tinha mais conserto. E essa marca no meu corpo não me deixa esquecer?
Fui, fiz o piercing e a tatuagem. Fiquei muito feliz na época. Mas pouco depois já estava enjoada do desenho. E minha mãe sempre ouvia minhas reclamações, com toda paciência do mundo. Paciência que eu não tinha para ouvir os problemas dela. Enquanto ela limpava a cicatriz, eu a ofendia, a xingava, maltratava. E ela observava a cena sem pode fazer nada. Ela se sentia uma empregada de luxo. E era o que eu pensava também. Logo minha mãe, que fazia de tudo para me agradar. Eu deveria ter sido eternamente grata a ela. Mas não, fiz exatamente o contrário. Considerava minha mãe um nada. O problema é que eu não recebia impedimento nenhum. Para os meus pais, meu problema não tinha solução. E nada restava a eles a não ser ficar sentados, esperando que um milagre acontecesse e os livrasse daquela tormenta causada por mim.
A repercussão da tatuagem e do piercing na escola foi a melhor possível para mim, de acordo com a minha mentalidade da época. Todos comentavam e eu fazia questão de exibí-los sem cerimônia nenhuma. Consegui que umas quatro meninas, também mimadas como eu, convencessem seus pais a deixá-las fazer uma tatuagem quase igual a minha. Fiquei sendo a popular no colégio. Isso, aliado ao meu gênio forte, foi responsável por inimizades mortais. Logo atrás vinham as amizades falsas e os meninos. É, comecei cedo. Com onze anos já tinha dado meu primeiro beijo e uns dois anos depois já havia feito minha primeira relação sexual. Como já tinha perdido minha infância cedo mesmo, isso era o de menos. Acho que fiz tudo que, quando dei por mim, não faltava nada mais pra fazer. Senti um vazio. Acho que fiz tudo que uma pessoa faz em toda sua vida em apenas quinze anos. Nada de novo na minha vida acontecia. Já tinha chegado ao meu máximo. E como eu era uma pessoa que adorava uma adrenalina, uma aventura, me sentia desolada. Até que um dia constatei: "Quer uma aventura maior do que fugir de casa?".

terça-feira, 31 de maio de 2011

Oi!

Escrevi ouvindo: "Do Meu Querer", do Catedral, com participação de Liah
Esquisito ficar sem conversar com uma pessoa que você conversava todos os dias, invariavelmente. Nem que fosse só pra encher o saco, ou dar um simples "oi". Essa conversa era parte do ritual do dia. Agora, sem ela, sinto que não estou tomando banho ou escovando os dentes. Falta uma coisa essencial no meu dia. Algo que a gente não consegue viver sem. Mas que com o tempo nos acostumamos. Quantas vezes mudamos nossa rotina completamente só por causa de um fator, pequeno, que seja? É difícil, melhor seria se não tivéssemos que fazer. Mas as circustâncias da vida nem sempre condizem com o que queremos e temos que lidar com o humor dela. E é assim. Até que alguém resolva quebrar o gelo e voltar pra aquela situação. Rotineira, mas confortante.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

É preciso - Parte 1

"É preciso brindar o destino
É preciso gritar: 'Começou!'
Se jogar nessa dança na vida
Sem medo do escuro""



Aquele mundo não era o meu. Tentava socializar, mas as pessoas, as conversar, as atitudes não combinavam comigo. E era num lugar desses que eu passava todos os dias da minha vida. Não era nada daquilo que sempre quis pra mim. Mas era o que tinha disponível e eu não podia me dar ao luxo de perder mais um emprego. Todos os outros perdidos graças a minha imensa vontade de fazer aqueles trabalhos chatos. Eu olhava meus colegas fazendo aqueles projetos com tanta dedicação, com tanto amor, e ficava impressionado. Por que não me sinto assim também?
Não posso me culpar por não ter tentado. Tentei. E muito. Foram cinco anos entre um trabalho e outro, sem contar com os cinco de faculdade. Era pra ter sido quatro, mas o meu desinteresse com o curso me fez repetir algumas matérias. Meu pai, enfurecido por ter que pagar mais dois períodos de faculdade, me fez continuar na profissão, arrumando mais e mais entediantes empregos. Dizia que a minha honra seria pagar a "dívida" com ele. Teria que pagar por todo período que estive na faculdade, porque nem tive a capacidade de passar numa federal. Pois é.
Agora estou aqui, sentado na mesa do escritório, olhando pra tela do computador, com um projeto na minha frente, mas nem sei bem o que fazer com ele. Nada mais justo que pensar que estou pagando pelos meus pecados. Um pecado que não é exatamente meu. Não tinha a mínima vontade de estudar para o vestibular da federal, então a solução foi ir para uma faculdade particular. Pelo menos não era qualquer uma de esquina. Era a melhor daqui, mas, quem se importa?
Se teve um período que fui mais infeliz do que sou hoje, foi no meu período como universitário. Não fui a festas, não fiz amigos, mal mal fazia os trabalhos e provas. Não tinha alegrias. Quando chegava em casa, meu pai me chamava para ver os projetos que ele fazia quando era um engenheiro de sucesso. E eu, como um bom filho que sou, sempre prestava atenção sem prestar. Fazia o tipo que meu pai queria que eu fosse. Mas eu não era assim. E não tinha a mínima vontade de continuar sendo assim. Queria me. Meu pai tentava dominar minha vida. Eu, um quase senhor de 30 anos, ainda sendo influenciado pelas ideias paternas. Quer dizer, ele achava que eu era influenciado. Porque a cada palavra relacionada à "nossa profissão", como ele dizia, eu ficava com mais raiva, com mais desgosto daquela situação toda.
Meu plano era terminar de pagar a dívida da faculdade com meu pai e então partir para uma nova vida. Quem sabe viajar pelo mundo? Quem sabe fazer uma faculdade? Mas para isso ainda precisava de dinheiro. E eu sabia muito bem que meu pai não ia me ajudar em nada, Ou seja, teria que trabalhar ainda mais por aqui para, enfim, realizar a minha vontade e assim começar a minha verdadeira vida. Mas e a preguiça de continuar apertando nessa tecla que sei que não está funcionando?
Tenho que terminar logo esse projeto. Daqui a pouco já vai dar a hora de ir e eu nem comecei. Sinceramente, não sei o que é pior. Pelo menos aqui fico sossegado, sem ter meu pai enchendo meu ouvido de tantas baboseiras sobre a "nossa profissão". Aqui pelo menos eu fico na minha, ninguém vem falar comigo e eu não faço questão de falar com ninguém, também.
Faltam 10 minutos para eu ir embora e entregar esse projeto, mas eu nem mexi e nem tenho vontade. Vou ter que ficar por aqui a noite toda para tentar concluir. Mas eu sei que não vou. Sacrificar minha noite toda por algo que eu sei que não vai valer nada. Não posso fazer nada. Preciso pagar a dívida com meu pai logo. Já pensei seriamente em fazer bicos para conseguir mais dinheiro logo pra me ver livre desse encosto. Mas o que? Só tenho "experiência" nessa área. E não me orgulho de nada disso. Não pude nem fazer aula de música quando era criança. Meu pai dizia que era algo a mais pra desviar a atenção do estudo. Para convencer de me colocar no Inglês foi uma luta. Ah, até que poderia ensinar essa língua, hein? Isso se eu tivesse paciência para ensinar. Fora que a falta de prática me enferrujou um pouco e não iria querer fazer feio diante dos meus alunos.
Acrescento algo ao meu projeto. Sou o único ainda no escritório. Peraí, tem uma luz acesa ali perto. Ou será que minha cabeça está começando a ficar louca de tanta coisa que eu tô pensando? Não, não é ela não. Tem mesmo uma luz acesa. E é a da sala do meu chefe. Num susto, vejo ele sair de lá e vir falar comigo: lá vem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tempo?

 Escrevi ouvindo: "Pararurá" do Chay Suede
Como alguém pode se tornar tão importante na sua vida em tão pouco tempo? É simples: arrumar uma situação difícil, aliada à falta de carinho mais um lugar com pessoas diferentes de você e de seu futuro amigo. Só isso. Só isso? Por trás disso há muito mais coisa. Há toda uma vida. Se amizade fosse tão fácil assim, todo mundo teria pelo menos uns cem melhores amigos. E a gente sabe que não é bem assim... A gente sabe que demanda um tempo para conseguir a confiança de alguém. E confiar também. Demanda gostos iguais, que só vem através do tempo. Então, isso não responde minha pergunta.
Sinceramente não sei como respondê-la. Passei tantos anos da minha vida imaginando que minhas amizades verdadeiras seriam construídas ao longo do tempo. Pensei que meus amigos de vida adulta seriam aqueles de lá de antes. Do Ensino Fundamental, talvez. Mas não. Desses eu mal tenho notícias. E confesso que, outrora importantes, hoje a maioria desses não fazem a mínima falta na minha vida. Exceto uns dois ou três, que ainda tenho contato e gosto, mas que, ainda assim, não tenho aquela amizade de antes. Já do Ensino Médio, talvez. Nessa fase da minha vida tive contato com diversos tipos de pessoas. Pessoas parecidas. Pessoas diferentes. Ótima maneira de crescer. Consegui vários colegas que julguei serem amigos. Hoje, pouco tempo depois de ter formado, tenho menos notícias deles do que dos "amigos" do Ensino Fundamental. Só os vejo por acaso. Hoje, desse grupo que um dia considerei grande, salvaram-se uns dez. Alguns deles até que se tornaram amigos de verdade só depois do vestibular. Percebo que amigos não se formam na escola, ou na faculdade, ou até no local de trabalho. Esses locais podem até ser um meio de conhecer pessoas novas. Mas o que faz com que a amizade se consolide de vez é o convívio na vida. Pode até parecer redundante essa expressão. Mas é a mais pura verdade. O convívio no colégio não nos faz conhecer a pessoa como ela realmente é. Isso só acontece quando você sai, vai na casa do outro, conversa bastante. E não aquela conversa de intervalo de aula. Mesmo não sendo uma convivência diária, quando há o encontro, parece que vocês ficaram somente alguns dias longe um do outro, o assunto não morre. Por isso que digo que amizade só se consegue com o tempo. Pois só com ele é possível obter todos esses requisitos. Mas não.
Quando uma amizade iniciada numa sala de faculdade, atravessa os muros do prédio e passa a ser uma verdadeira relação de carinho e afeto em apenas algumas semanas, ou dias. Isso acontece quando há mais do que um convívio diário. Há um convívio "horário". Quase vinte e quatro horas por dia juntos. Seja fisicamente, seja em pensamento. Quase uma relação de marido e mulher. Só que sem aquela relação carnal. Só aquela relação de sentimentos, algo que nem os casados possuem. Uma relação de irmãos. Com brigas e desavenças, inclusive. Mas, afinal, que amizade verdadeira não é construída por altos e baixos? E são nessas brigas que a gente vê quem é amigo de verdade. Quem tem coragem de assumir o próprio erro ao ponto de valorizar tanto uma amizade? Digo isso porque já perdi algumas amizades através de brigas. Ninguém quis ceder e assumir seu erro que a relação acabou pra sempre.
Para muitos, a distância é um fator separador. Para mim, não. É aglutinadora. Algo que serve para que haja uma maior união. uma maior vontade de ficar perto. Uma amizade que resiste à distância é uma amizade verdadeira. Que não demonstra interesses. Por isso mesmo é algo difícil de se conseguir. Difícil superar a real intenção da maioria das relações humanas e passar por cima disso tudo. Mas, mesmo assim, o encontro é fundamental para matar as saudades e relembrar aquele tempo que foi bom, mas não volta nunca mais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lira dos 20 anos

Escrevi ouvindo: "A Falta que a Falta Faz", do Jay Vaquer
Não consigo dormir. Minha cabeça está a mil. Pessoas, fatos, lugares... Nada disso sai de mim. E não são assuntos fixos. Cada hora aparece um tema novo para me atormentar. Ou pra me aliviar. A cada problema que aparece, o anterior vai ficando distante, vai se tornando menos importante, parece até mais fácil. Mas o conjunto de todos é um Sudoku. Daqueles super difíceis de se solucionar. Na verdade, nem sei por onde começo a resolver. Aliás, não sei nem o que devo fazer ou se realmente devo solucioná-los. Se devo deixar quieto para que esses pensamentos se cicatrizem como as mágoas que já foram. Se continuo remoendo ou tento seguir a vida em frente, sem pensar nisso. Mas como não pensar? Até nesse momento de descanso, que eu deveria estar relaxado e pensando só em coisas boas, me vem isso na cabeça. Mas, quem disse que não é coisa boa? Tá legal que isso tá me impedindo de dormir e já vi que amanhã vai ser um - mais um- dia improdutivo na minha vida. Fazer o que? Parece que a inspiração já acabou. Ou melhor, as ideias estão passando tão rapidamente pela minha cabeça, pelos meus olhos, como se elas estivessem passando bem aqui na minha frente, agora, na velocidade da luz. E é cada coisa nova, diferente... Coisa que eu nem lembrava que tinha acontecido comigo... Ou será que aconteceu e eu pensei que estava sonhando? Mas parece tudo tão real, mesmo aparecendo cenas que não me imagino nelas. Pô, passei por quase tudo nesses vinte anos de idade. Principalmente nesse último ano. Minha vida, de regrada e estagnada, virou de pernas pro ar. Mudou, eu mudei. Completamente. E não foi só uma vez. Diversas vezes tive que me adaptar a situações totalmente distintas umas das outras. Voltar, mudar, nunca tive medo. Nunca tive medo de crescer, de me arrepender, de me adaptar para tentar me sentir melhor. Às vezes nem sempre isso é possível, mas vou do pressuposto que toda tentativa de fazê-lo é válida. E isso não posso me arrepender de não ter feito, sem medir as consequências. Mas do contrário, não mesmo.
Dizem que quando você vê sua vida passar toda diante dos seus olhos, como em flashes, é porque você está prestes a morrer. Mas não me sinto assim. Me sinto mais vivo do que nunca. Pulso por vida. Tenho ânsia de viver. De fazer tudo que eu não fiz e sempre tive vontade. Ou nunca tive vontade e, de repente, me dá a louca e resolvo ter. Aprender mais, crescer, investir, ousar! Tudo sem medo de ser feliz. Isso é a vida.
Consegui transformar aqueles pensamentos que me atormentavam - e ainda ameaçam atormentar - em uma coisa boa. Conclui que esses pensamentos fazem parte da vida, nos fazendo grandes, não de tamanho, mas de maturidade e de experiência social. A superação ou análise dessas ideias nos fazem ter uma melhor cabeça para aguentar com força essa luta de viver, que não é nada fácil.
 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Máscara


Escrevi ouvindo: "Libetad", do Christian Chávez com participação da Anahí
Tempinho sem escrever, hein?! Outro dia comecei um texto, mas aí chegou uma aula importante, que eu não me lembro qual -deve ser física- e acabei perdendo o papel. Bom, quando eu achar, termino, como se vocês não soubessem disso que falei. Vai marcar a atemporalidade.
Estive pensando de como a seriedade nos faz vestir máscaras para que a gente se adeque a ela. Seja por medo do preconceito, ou a partir de atitudes que tomamos, ou pela profissão que seguimos. Acho que todo mundo, sem tirar ninguém, veste essas máscaras. É uma pena, porque nosso mundo já é tão distinto quanto a etnias e sexualidades, que a diferença de opiniões e jeitos e costumes só nos vão fazer crescer mais. Triste que ninguém tem coragem que tirar essa fantasia. Tudo por receio de ser detonado pelo resto. Não tiro a minha culpa. Também visto muito disfarces, omito, e, muitas vezes, minto ou ignoro. Tudo isso pra me sentir parte integrante.
E quer saber?  Mesmo fazendo isso tudo, acabo não me sentindo parte do todo. Por medo mesmo. Medo de não estar usando as máscaras adequadas, do jeitinho que a sociedade manda. Ou até pela própria sociedade. A gente esconde tanto, se faz tanto, que ela mesmo trata de nos rejeitar. Então, como fazer?
Não sei, já cansei de tentar entender esse mundo que a gente vive. Nós deixamos de fazer o que realmente gostamos para nos sentirmos acolhidos perante ao resto, mas o resultado: acabamos sendo ainda mais rejeitados. Parece que nos ignoram pelo simples fato de que vestimos essa armadura. E se a gente não vestisse?
Somos condicionados desde pequenos a saber como agradar as pessoas, não importando vai contra os nossos princípios. Com isso, ficamos com medo de nos apresentarmos do jeito que somos. Ficamos com medo de desapontar o outro, com medo de chocá-lo com nosso verdadeiro "eu". Só que não estamos aqui somente para agradar o outro. Estamos aqui, principalmente para nós mesmos. Temos, é claro, que preocupar com o outro também. Mas a vida é nossa. E nos escondendo, vamos acabar nos tornando infelizes. E o principal dessa vida, portanto, não é alcançado. O outro que trate de nos aceitar como somos. E nós temos o dever também de aceitá-los, ou melhor, de nos aceitarmos mutuamente. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Digital Monsters

Escrevi ouvindo: "Fugindo de Mim", do Wilson Sideral
Aula de redação. Nada mais justo que escrever, né? Mas acho tão chato esses temas que nos obrigam a dissertar sobre. Aliás, odeio dissertação. Odeio ficar me escondendo, expondo minha opinião, mas não mostrando minha cara. Sou muito mais um artigo de opinião ou uma crônica. Até acho que o que escrevo aqui pode ser considerado uma crônica. Crônica de um quase adulto aprendendo a viver. Ou é um gênero novo que não inventaram ainda. Quer dizer, mentira, já inventaram sim, só tô moldando ele ao meu jeitinho.
Jeitinho esse que me leva a cada lugar! Não sei onde eu vou parar. Porque se eu escrevo muito, acho que mostrei demais minha vida. Quando escrevo pouco, já fico com vontade de escrever de novo, porque penso que não cheguei no meu objetivo. E é isso.
Colocar boa parte da sua vida, ou uma parte importante, na Internet é algo muito arriscado. Não só através de blog. Por qualquer rede social... Ou por algum site acadêmico... sei lá. Você acaba vivendo mais a sua vida virtual do que a real. Fica dependente disso. Já quer saber se alguém veio falar com você ou colocou uma foto nova. Isso tudo poderia ser feito pessoalmente, mas a praticidade da Internet não nos deixam estabelecer essas relações de carne e osso. E cada vez mais aparecem novidades na rede. Novidades que nos prendem mais e mais. No fim de tudo, passamos uma boa parte de nossos dias na frente do computador. Tempo esse que muitas vezes a gente não tem disponível. Assim, sacrificamos uma parcela do intervalo que possuímos para passar mais tempo com o computador. Trocamos a convivência com o outro "real" pela convivência com uma máquina.
E de tão íntimos que estamos dela, já temos até amigos que moram longe. No Acre ou em outro país. E até nossos amigos reais estão se tornando virtuais. A falta de tempo é a grande culpada. Mas, se gastamos tanto tempo na Internet, por que não o utilizamos com encontros pessoais? É. Mais uma vez. Está comprovada aí a comodidade da Internet. Os amigos virtuais ou os reais virtuais compartilham tudo pelo twitter ou facebook e não ligam mais, não se vêem... Daí você passa a viver mais a sua vida na rede do que a sua vida de corpo. Você se transforma num vírus, num programa de computador.
Isso tudo se deve ao tanto de problemas que sentimos em nosso dia-a-dia. E tudo isso some quando estamos na Internet. Lá, nós podemos escolher o que fazer, as pessoas que iremos nos relacionar. Assim, tendemos a esquecer os problemas. Mas, tudo isso muda quando você aposta todas as suas fichas nela. A vida virtual vai se tornando tão parecida com a real que os problemas se tornam os mesmos. Tem gente que arruma namorado online, se decepciona. Ou há quem queira transportar aquilo que aprendeu com o computador para a vida real. E até quem fantasia muito sobre o mundo real. Nada disso dá certo. Porque, imagina, se uma vida já é difícil de se levar, imagine duas? Confesso que sou viciado, mas estou tentando mudar. Viver minha vida real em paz, ou virar de vez um digimon e entrar pro mundo dos bites.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dialética

Escrevi ouvindo "Rotina", da Thaeme Mariôto
Eu aqui mais uma vez na aula. Escrevendo sobre a vida. Não necessariamente da minha vida. Procuro juntar minhas experiências, colocando um pouco de dramaticidade, com coisas que imagino ou ouço por aí. Ou seja, meu texto não é totalmente biográfico. Talvez seja um roteiro que eu desejasse seguir na minha vida. Mas como nada do que planejo se concretiza, esse roteiro todo vai por água a baixo. Melhor, acho que não iria aguentar essa vida toda certinha, estabilizada. A confusão reina em mim.
Não sei, mas talvez eu iria gostar de ter uma vida monótona, sem grandes surpresas. Essas surpresas que acabam com nossos desejos, ou os alimentam ainda mais. Se a gente fosse condicionado à rotina, sem dúvida sofreríamos menos. Não iríamos nos decepcionar com as pessoas. Não teríamos novidades, estaríamos atrelados à realidade. E, quem sabe, seríamos mais felizes assim. Porque essas surpresas, essas fugas de rotina é que nos fazem sofrer. Então, se seguirmos uma meta, não saindo do caminho estabelecido, estaríamos construindo uma vida teoricamente mais feliz e sem preocupação.
Teoricamente. Pois a vida não é assim. Infelizmente. Ou felizmente. A monotonia iria nos matar antes do sofrimento. Ou melhor, a monotonia iria nos causar um sofrimento tamanho. Maior do que a gente já sofre nessa vida de altos e baixos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Utopia

Digitei ouvindo: "Olhos Certos", do Detonautas Roque Clube
Aula de Química: não consigo me concentrar. Não por culpa totalmente minha, mas essa aula é muito chata e essa matéria acho que já sei. Meu vestibular tá chegando e eu não consigo já me conentrar pra nada. Quer dizer, desde de que comecei esse cursinho eu não consigo parar, sentar e estudar. Se eu não passar, já vou saber a razão. Sinto que estou disperdiçando o dinheiro do meu pai. Mas é uma coisa que não tem como mudar. Venho pra aula com vontade de aprender, mas não consigo. Até em matérias que eu não sei nada. Não consigo. Definitivamente, minha cabeça não tá no cursinho.
Ela está em qualquer lugar, menos aqui: seja lá em casa, ou até no Rio, que eu deixei pra ficar aqui... E num lugar que não me perdoo por querer ficar, mas não controlo minha cabeça. Não sei se sou bem-vindo nesse lugar, se vou ser recebido com mil pedras na mão, se vão fechar a porta na minha cara. Por isso que não me perdoo. Poderia ficar em casa, sem estudar, é claro, mas até quando estou lá, penso em querer estar nesse local. Tento até esquecer a existência dele. Porém, é só ficar um tempo na internet, ver um pouco de televisão, dormir... que esse tormento volta. Até aquelas músicas que eu gostava antes de saber da existência dele me fazem recordar. Pensei até que já tinha passado essa vontade de voltar lá. Voltar sim, porque acho que já estive algumas vezes, seja há muito tempo ou recentemente. Talvez sim, talvez não. Foi só uma ilusão, penso. Ou quem sabe uma pré-vontade de estar lá?
Sei lá, mas deve ser por isso que eu não consigo parar para me concentrar. Nem para escrever estou. Já parei um tempo voltei, até tentei prestar atenção na aula... A toda hora a imagem daquele lugar vem pra mim. Merda. O que eu faço? Acho que vou fazer uma lobotomia e começar tudo do zero: aprender a andar, falar, ler, escrever. Mas lembrar de não aprender aquelas coisas que machucam a gente. Mas quem disse que a gente consegue? Enquanto isso, vamos em busca do lugar nenhum, da utopia.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Divagações à Portuguesa

 Digitei ouvindo F**kin Perfect, da P!nk
Ah, como eu odeio gramática. Não quero saber se o "como" tem função de conformidade ou comparação. Quando eu escrevo, nunca que penso nisso. As palavras saem feito uma explosão e eu só sou responsável por organizá-las no papel, sem me preocupar com o papel delas ou que efeito podem causar. O que está escrito é o que está escrito. Eu penso numa coisa, você pensa em outra, ele em mais uma... E assim vai. Cada um retira de qualquer texto algo que lhe engrandeça. E cada um tem necessidades diferentes. Então, tem uma leitura diferente. E ai, pra que aprender todas essas regras se elas não passam de classificações pessoais?
Não sei, mas, se for parar pra pensar, nós aprendemos tantas coisas inúteis durante a vida. A sociedade nos obriga a tentar saber um pouco de tudo, algo quase impossível. Se tentarmos saber um pouco de tudo, acabamos deixando de lado aquilo que a gente realmente gosta de lado. E, fora que aprender essas coisas que já sabemos que não serão proveitosas, temos já um desânimo natural, uma preguiça. Como dizem por aí, estamos nessa vida para sermos felizes, e isso não nos deixa.
Porém, algumas, muitas, por sinal, das coisas que julgamos não serem imprtantes, são utilizadas por nós durante a nossa vida. E tudo isso sem darmos conta disso. Querendo ou não, essas inutilidades, mesmo que bobas ou ineficientes no início, fazem crescer na escola da vida, mais importante que a escola tradicional. E justamente por isso, por julgarmos que só aprendemos inutilidades na escola, que a vida social está assim. Ninguém respeita ninguém. Cadê os direitos humanos? Acho que ficaram perdidos junto com aquele bando de livro que só serve para ocupar o armário...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Eu?!

Digitei ouvindo "Black Hole", da Lindsay Lohan
Olha eu aqui outra vez escrevendo na aula. E dessa vez nem é na aula de português. A aula de Química tá bombando aqui e, eu, pra me livrar do sono e não dormir no meio da sala, venho aqui exercitar meus músculos falando coisas loucas que vem da minha cabeça.
Tento falar de coisas boas, que, segundo um dos poucos leitores que eu tenho aqui, e, diga-se de passagem, meu amigo, esse blog tá muito depressivo. E até posso parecer meio depressivo quando escrevo. Mas não sou nada disso quando me relaciono com as pessoas. Na verdade, comecei isso aqui num momento depressivo da minha vida, que, por sinal, ainda estou. Mas sinto que já tá passando e minha alegria de viver está voltando. Ótimo. E desse jeito quero ficar por um bom tempo. Ah, mas se isso dependesse só de mim...
Parece que mesmo eu não procurando e fingindo não estar interessado, tudo me leva a lembrar. Ouvir coisas que os outros falam, ver alguém parecido, aparecer toda hora na minha cabeça. Minha lembrança aflora. Assim, como vou esquecer e voltar a viver a vida lindamente? Não tem como. Quer dizer, não por enquanto, mas tô no caminho certo.
Logo logo estarei aqui falando besteira, aí vocês vão conhecer o verdadeiro eu. Ou meu eu momentâneo, já que meu eu é bipolar e instável. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

Stuck on repeat

Digitei ouvindo "Misery", do Maroon 5.

Voltei a escrever durante a aula. E logo no primeiro horário. Acho que durante esse tempo que eu tô aqui, me sinto mais com vontade de escrever. É como se fosse um tempo vago em que minha imaginação aflora. Ou seja, um tempo nem tão vago assim. Mas só na teoria... Acordei hoje já pensando no que eu queria escrever . No caminho até aqui, fui pensando nos mínimos detalhes sobre meu texto. Não deu certo. E, como sempre, vou expor minhas ideias não numa linearidade, mas naquele furacão de pensamentos que acho que me dou melhor.
Não há pior sentimento do que a dúvida. Duvida quanto a algo, dúvida quando a reação de alguém, dúvida quanto às dúvidas dos outros... São tantas dúvidas na vida. Essas perguntas te angustiam, deixam mal. E o problema de quando se tem esse sentimento é que não se sossega enquanto não se sabe a resposta certa. E esse tempo interminável até a descoberta da verdade?
Estou nessa fase agora. Angustiado querendo saber a verdade. Às vezes a verdade é melhor do que uma mentira feita pra deixar o outro bem. Mas essa falta de resposta é péssima. Como saber se o sentimento é comum quando não se tem a resposta? Isso se reflete nos meus textos. Quantos pontos de interrogação eu já coloquei aqui? Esse tanto de interrogações estão dentro da minha cabeça, junto a tantos outros. E a cada tempo que passa, vão surgindo mais e mais. E me deixando mais angustiado. Seria tão difícil demonstrar um sentimento?
A verdade é que já passei por isso algumas vezes. E todas foram um pouco traumáticas... E o que está acontecendo agora tem de tudo pra ser a mais pesada de todas. Como disse, esse grande número de perguntas em mim está me deixando mais pesado. Peso psicológico, não físico. Quando se está gordo, exercitar-se é a solução. Porém, não é isso que acontece com o cérebro. Exercitando-o, cria-se mais dúvidas, aumentando mais o peso dentro dele. A única solução é expulsar tudo isso da minha cabeça. Mas como? Perguntando? E a coragem? E o medo de ser julgado como infantil e bobo?
Podem ser medos idiotas. Mas já me sinto tão idiota nesse momento que ser tachado de mais bobo é o suficiente para abalar completamente a minha autoestima. E então, o que eu faço? Vou sentar e esperar que minha cabeça literalmente exploda ou que alguém específico leio isso aqui e faça algo. Enquanto isso, a angustia se reproduz como um vírus numa célula.

terça-feira, 15 de março de 2011

Escolha

Escrevi ouvindo: "Firework", da Katy Perry.
Nada melhor do que um dia lindo depois de um meio tristinho. E esse foi meu caso hoje. Agora me sinto totalmente diferente de ontem. Mesmo não completamente satisfeito do jeito que eu gostaria. E não, não foi aquele chato do cursinho que me fez ficar mais alegre. Não foi saber que a luz diminui de velocidade quando entra na água ou que o raio atômico aumenta com a diminuição do número atômico. Nada disso. Diria mais. Diria que essa melhora considerável não ocorreu pela manhã, como sempre mau humorada. E numa chuvosa, mas muito divertida tarde.
Passar esse tempo com meus amigos me fez lembrar dos velhos tempos. Dos tempos que a única preocupação que tínhamos era a chegada das provas de fim de trimestre. E como nossas vidas mudaram num curto espaço de tempo? Nossa. Eu nem de longe pareço com aquele menino de óculos e cabelo de cuia, inocente, até mesmo meio idiota. Quer dizer, a essência continua a mesma. Mas o amadurecimento e a idade vão chegando e mudam completamente a vida de cada um. Sinto falta desse tempo antigo.
Hoje, as crianças cada vez mais cedo desejam ser tratadas como adultos. Eu mesmo não nego que fui assim numa fase da minha vida. Não me arrependo, mas acho que se pudesse voltar naquela época, faria muitas coisas diferentes. Quando se está se tornando adulto, a responsabilidade sobre seus ombros aumenta consideravelmente, quando criança, pode-se fazer de quase tudo sem ter que se preocupar com nada. Adulto tem lei, regras da sociendade, criança tem que aproveitar.
Não vou escrever mais, minha inspiração não tá das melhores... Mas é isso, sejam crianças às vezes e aproveitem a vida sem se preocupar com que o outro vai dizer. "A vida é sua, saiba viver".
Até

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mais um anacoluto

Escrevi ouvindo: Vozinha chata da professora chata da matemática chata (y). Digitei ouvindo: "Last Night on Earth", do Green Day.
Aula de matemática: análise combinatória. Ou cochilo ou vou pra mais um dos meus devaneios, constantes na minha vida. E cada vez mais fortes e intensos. Mas, ao contrário de ontem, só uma coisa aparece na minha cabeça. Coisa que aparecia constantemente nela, mas não a todo momento. Não consigo parar pra prestar atenção na aula. E olha que é uma das matérias que eu mais tenho dificuldade. Achei que se pegasse um pedaço de papel e começasse a escrever, esse sentimento ia passar e eu finalmente iria conseguir prestar atenção na aula e absorver alguma coisa dessa matéria que eu tanto odeio. Mas, se for parar pra pensar, a aula de matemática tá acabando e depois tem aula de português. E nada mais justo numa aula de português, né mesmo? Bom, eu vou pensar assim que ai me sinto menos culpado de estar fazendo isso bem no cursinho. Mas a realidade é que escrever me deixa bem. E ainda mais na minha condição atual, estou tentando de tudo pra me fazer mais alegrinho. E escrever isso aqui, tá me deixando aliviado. Assim, esqueço os problemas, ou pelo menos reflito sobre eles, e tenho um momento comigo e, talvez, com quem lê isso aqui -ninguém- e exponho essas loucuras sem ter medo de ser feliz.
A aula acabou de terminar e tô me sentindo menos culpado de estar escrevendo. Até porque eu tô no intervalo e não costumo fazer nada durante esse tempo. E escrever, como já falei antes, tá sendo muito bom pra mim, até me colocando mais pra baixo, mas, ainda assim, me fazendo refletir. Então, esse foi o intervalo mais proveitoso que eu tive desde que entrei aqui. Logo o intervalo, que costumava ser a parte mais divertida de ir pra aula. Seja aqui em BH ou no Rio. No cursinho me sinto sozinho, sem ninguém pra fazer palhaçada comigo ou falar besteira. Quero terminar logo esse negócio aqui pra poder entrar na faculdade logo, pra, até que enfim, mudar tudo de novo. Pô, mas quantas mudanças!
Acabo de descobrir, segundo meu professor de Literatura, que eu escrevo todos esses textos baseados em anacolutos: cheio de quebras de ideias. Ou seja, falo muito de tudo, sem querer dizer nada e sem chegar a alguma conclusão. Mas é assim que essas coisas estão na minha cabeça, sem linearidade ou algo que as direcione pra algum lugar. E minha tarefa é só passar minhas ideias pro papel/computador, então tô no caminho certo, ou não. Já me disseram que eu escrevo do modo que eu falo. Considerei isso como um elogio, porque, como futuro comunicador social, o dom da palavra é muito importante, diria até essencial. Se bem que acho que eu não tenho esse dom...
Pelo mesmo professor, descubro que também não sou confiável, já que sou um narrador de primeira pessoa. Disso eu não concordo. Não que eu seja a pessoa mais confiável do mundo, mas me contento com o grau de confiabilidade que eu tenho. Mais uma vez português ferrando com a minha reputação.
Bom, acho que já escrevi demais. Acho. Porque eu tô escrevendo numa folha de caderno e ela tá quase acabando. Não sei exatamente quanto isso dá de espaço no computador, mas acho que já deu um texto bem grandinho. Mas, quem se importa? Ninguém lê essa coisa aqui mesmo... Aliás, se alguém estiver lendo, saia que eu venci uma grande preguiça pra conseguir digitar esse texto todo. Será que consigo?
Vou voltar pra minha aula porque o que o professor tá falando tem um interesse na minha vida futura, e né, tenho que prestar atenção em pelo menos uma aula, já que acabou de bater o sinal pro último horário. Então é nessa aula que eu tenho que focar. Vou lá porque senão não paro de escrever.
Até