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terça-feira, 31 de maio de 2011

Oi!

Escrevi ouvindo: "Do Meu Querer", do Catedral, com participação de Liah
Esquisito ficar sem conversar com uma pessoa que você conversava todos os dias, invariavelmente. Nem que fosse só pra encher o saco, ou dar um simples "oi". Essa conversa era parte do ritual do dia. Agora, sem ela, sinto que não estou tomando banho ou escovando os dentes. Falta uma coisa essencial no meu dia. Algo que a gente não consegue viver sem. Mas que com o tempo nos acostumamos. Quantas vezes mudamos nossa rotina completamente só por causa de um fator, pequeno, que seja? É difícil, melhor seria se não tivéssemos que fazer. Mas as circustâncias da vida nem sempre condizem com o que queremos e temos que lidar com o humor dela. E é assim. Até que alguém resolva quebrar o gelo e voltar pra aquela situação. Rotineira, mas confortante.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

É preciso - Parte 1

"É preciso brindar o destino
É preciso gritar: 'Começou!'
Se jogar nessa dança na vida
Sem medo do escuro""



Aquele mundo não era o meu. Tentava socializar, mas as pessoas, as conversar, as atitudes não combinavam comigo. E era num lugar desses que eu passava todos os dias da minha vida. Não era nada daquilo que sempre quis pra mim. Mas era o que tinha disponível e eu não podia me dar ao luxo de perder mais um emprego. Todos os outros perdidos graças a minha imensa vontade de fazer aqueles trabalhos chatos. Eu olhava meus colegas fazendo aqueles projetos com tanta dedicação, com tanto amor, e ficava impressionado. Por que não me sinto assim também?
Não posso me culpar por não ter tentado. Tentei. E muito. Foram cinco anos entre um trabalho e outro, sem contar com os cinco de faculdade. Era pra ter sido quatro, mas o meu desinteresse com o curso me fez repetir algumas matérias. Meu pai, enfurecido por ter que pagar mais dois períodos de faculdade, me fez continuar na profissão, arrumando mais e mais entediantes empregos. Dizia que a minha honra seria pagar a "dívida" com ele. Teria que pagar por todo período que estive na faculdade, porque nem tive a capacidade de passar numa federal. Pois é.
Agora estou aqui, sentado na mesa do escritório, olhando pra tela do computador, com um projeto na minha frente, mas nem sei bem o que fazer com ele. Nada mais justo que pensar que estou pagando pelos meus pecados. Um pecado que não é exatamente meu. Não tinha a mínima vontade de estudar para o vestibular da federal, então a solução foi ir para uma faculdade particular. Pelo menos não era qualquer uma de esquina. Era a melhor daqui, mas, quem se importa?
Se teve um período que fui mais infeliz do que sou hoje, foi no meu período como universitário. Não fui a festas, não fiz amigos, mal mal fazia os trabalhos e provas. Não tinha alegrias. Quando chegava em casa, meu pai me chamava para ver os projetos que ele fazia quando era um engenheiro de sucesso. E eu, como um bom filho que sou, sempre prestava atenção sem prestar. Fazia o tipo que meu pai queria que eu fosse. Mas eu não era assim. E não tinha a mínima vontade de continuar sendo assim. Queria me. Meu pai tentava dominar minha vida. Eu, um quase senhor de 30 anos, ainda sendo influenciado pelas ideias paternas. Quer dizer, ele achava que eu era influenciado. Porque a cada palavra relacionada à "nossa profissão", como ele dizia, eu ficava com mais raiva, com mais desgosto daquela situação toda.
Meu plano era terminar de pagar a dívida da faculdade com meu pai e então partir para uma nova vida. Quem sabe viajar pelo mundo? Quem sabe fazer uma faculdade? Mas para isso ainda precisava de dinheiro. E eu sabia muito bem que meu pai não ia me ajudar em nada, Ou seja, teria que trabalhar ainda mais por aqui para, enfim, realizar a minha vontade e assim começar a minha verdadeira vida. Mas e a preguiça de continuar apertando nessa tecla que sei que não está funcionando?
Tenho que terminar logo esse projeto. Daqui a pouco já vai dar a hora de ir e eu nem comecei. Sinceramente, não sei o que é pior. Pelo menos aqui fico sossegado, sem ter meu pai enchendo meu ouvido de tantas baboseiras sobre a "nossa profissão". Aqui pelo menos eu fico na minha, ninguém vem falar comigo e eu não faço questão de falar com ninguém, também.
Faltam 10 minutos para eu ir embora e entregar esse projeto, mas eu nem mexi e nem tenho vontade. Vou ter que ficar por aqui a noite toda para tentar concluir. Mas eu sei que não vou. Sacrificar minha noite toda por algo que eu sei que não vai valer nada. Não posso fazer nada. Preciso pagar a dívida com meu pai logo. Já pensei seriamente em fazer bicos para conseguir mais dinheiro logo pra me ver livre desse encosto. Mas o que? Só tenho "experiência" nessa área. E não me orgulho de nada disso. Não pude nem fazer aula de música quando era criança. Meu pai dizia que era algo a mais pra desviar a atenção do estudo. Para convencer de me colocar no Inglês foi uma luta. Ah, até que poderia ensinar essa língua, hein? Isso se eu tivesse paciência para ensinar. Fora que a falta de prática me enferrujou um pouco e não iria querer fazer feio diante dos meus alunos.
Acrescento algo ao meu projeto. Sou o único ainda no escritório. Peraí, tem uma luz acesa ali perto. Ou será que minha cabeça está começando a ficar louca de tanta coisa que eu tô pensando? Não, não é ela não. Tem mesmo uma luz acesa. E é a da sala do meu chefe. Num susto, vejo ele sair de lá e vir falar comigo: lá vem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tempo?

 Escrevi ouvindo: "Pararurá" do Chay Suede
Como alguém pode se tornar tão importante na sua vida em tão pouco tempo? É simples: arrumar uma situação difícil, aliada à falta de carinho mais um lugar com pessoas diferentes de você e de seu futuro amigo. Só isso. Só isso? Por trás disso há muito mais coisa. Há toda uma vida. Se amizade fosse tão fácil assim, todo mundo teria pelo menos uns cem melhores amigos. E a gente sabe que não é bem assim... A gente sabe que demanda um tempo para conseguir a confiança de alguém. E confiar também. Demanda gostos iguais, que só vem através do tempo. Então, isso não responde minha pergunta.
Sinceramente não sei como respondê-la. Passei tantos anos da minha vida imaginando que minhas amizades verdadeiras seriam construídas ao longo do tempo. Pensei que meus amigos de vida adulta seriam aqueles de lá de antes. Do Ensino Fundamental, talvez. Mas não. Desses eu mal tenho notícias. E confesso que, outrora importantes, hoje a maioria desses não fazem a mínima falta na minha vida. Exceto uns dois ou três, que ainda tenho contato e gosto, mas que, ainda assim, não tenho aquela amizade de antes. Já do Ensino Médio, talvez. Nessa fase da minha vida tive contato com diversos tipos de pessoas. Pessoas parecidas. Pessoas diferentes. Ótima maneira de crescer. Consegui vários colegas que julguei serem amigos. Hoje, pouco tempo depois de ter formado, tenho menos notícias deles do que dos "amigos" do Ensino Fundamental. Só os vejo por acaso. Hoje, desse grupo que um dia considerei grande, salvaram-se uns dez. Alguns deles até que se tornaram amigos de verdade só depois do vestibular. Percebo que amigos não se formam na escola, ou na faculdade, ou até no local de trabalho. Esses locais podem até ser um meio de conhecer pessoas novas. Mas o que faz com que a amizade se consolide de vez é o convívio na vida. Pode até parecer redundante essa expressão. Mas é a mais pura verdade. O convívio no colégio não nos faz conhecer a pessoa como ela realmente é. Isso só acontece quando você sai, vai na casa do outro, conversa bastante. E não aquela conversa de intervalo de aula. Mesmo não sendo uma convivência diária, quando há o encontro, parece que vocês ficaram somente alguns dias longe um do outro, o assunto não morre. Por isso que digo que amizade só se consegue com o tempo. Pois só com ele é possível obter todos esses requisitos. Mas não.
Quando uma amizade iniciada numa sala de faculdade, atravessa os muros do prédio e passa a ser uma verdadeira relação de carinho e afeto em apenas algumas semanas, ou dias. Isso acontece quando há mais do que um convívio diário. Há um convívio "horário". Quase vinte e quatro horas por dia juntos. Seja fisicamente, seja em pensamento. Quase uma relação de marido e mulher. Só que sem aquela relação carnal. Só aquela relação de sentimentos, algo que nem os casados possuem. Uma relação de irmãos. Com brigas e desavenças, inclusive. Mas, afinal, que amizade verdadeira não é construída por altos e baixos? E são nessas brigas que a gente vê quem é amigo de verdade. Quem tem coragem de assumir o próprio erro ao ponto de valorizar tanto uma amizade? Digo isso porque já perdi algumas amizades através de brigas. Ninguém quis ceder e assumir seu erro que a relação acabou pra sempre.
Para muitos, a distância é um fator separador. Para mim, não. É aglutinadora. Algo que serve para que haja uma maior união. uma maior vontade de ficar perto. Uma amizade que resiste à distância é uma amizade verdadeira. Que não demonstra interesses. Por isso mesmo é algo difícil de se conseguir. Difícil superar a real intenção da maioria das relações humanas e passar por cima disso tudo. Mas, mesmo assim, o encontro é fundamental para matar as saudades e relembrar aquele tempo que foi bom, mas não volta nunca mais.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lira dos 20 anos

Escrevi ouvindo: "A Falta que a Falta Faz", do Jay Vaquer
Não consigo dormir. Minha cabeça está a mil. Pessoas, fatos, lugares... Nada disso sai de mim. E não são assuntos fixos. Cada hora aparece um tema novo para me atormentar. Ou pra me aliviar. A cada problema que aparece, o anterior vai ficando distante, vai se tornando menos importante, parece até mais fácil. Mas o conjunto de todos é um Sudoku. Daqueles super difíceis de se solucionar. Na verdade, nem sei por onde começo a resolver. Aliás, não sei nem o que devo fazer ou se realmente devo solucioná-los. Se devo deixar quieto para que esses pensamentos se cicatrizem como as mágoas que já foram. Se continuo remoendo ou tento seguir a vida em frente, sem pensar nisso. Mas como não pensar? Até nesse momento de descanso, que eu deveria estar relaxado e pensando só em coisas boas, me vem isso na cabeça. Mas, quem disse que não é coisa boa? Tá legal que isso tá me impedindo de dormir e já vi que amanhã vai ser um - mais um- dia improdutivo na minha vida. Fazer o que? Parece que a inspiração já acabou. Ou melhor, as ideias estão passando tão rapidamente pela minha cabeça, pelos meus olhos, como se elas estivessem passando bem aqui na minha frente, agora, na velocidade da luz. E é cada coisa nova, diferente... Coisa que eu nem lembrava que tinha acontecido comigo... Ou será que aconteceu e eu pensei que estava sonhando? Mas parece tudo tão real, mesmo aparecendo cenas que não me imagino nelas. Pô, passei por quase tudo nesses vinte anos de idade. Principalmente nesse último ano. Minha vida, de regrada e estagnada, virou de pernas pro ar. Mudou, eu mudei. Completamente. E não foi só uma vez. Diversas vezes tive que me adaptar a situações totalmente distintas umas das outras. Voltar, mudar, nunca tive medo. Nunca tive medo de crescer, de me arrepender, de me adaptar para tentar me sentir melhor. Às vezes nem sempre isso é possível, mas vou do pressuposto que toda tentativa de fazê-lo é válida. E isso não posso me arrepender de não ter feito, sem medir as consequências. Mas do contrário, não mesmo.
Dizem que quando você vê sua vida passar toda diante dos seus olhos, como em flashes, é porque você está prestes a morrer. Mas não me sinto assim. Me sinto mais vivo do que nunca. Pulso por vida. Tenho ânsia de viver. De fazer tudo que eu não fiz e sempre tive vontade. Ou nunca tive vontade e, de repente, me dá a louca e resolvo ter. Aprender mais, crescer, investir, ousar! Tudo sem medo de ser feliz. Isso é a vida.
Consegui transformar aqueles pensamentos que me atormentavam - e ainda ameaçam atormentar - em uma coisa boa. Conclui que esses pensamentos fazem parte da vida, nos fazendo grandes, não de tamanho, mas de maturidade e de experiência social. A superação ou análise dessas ideias nos fazem ter uma melhor cabeça para aguentar com força essa luta de viver, que não é nada fácil.
 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Máscara


Escrevi ouvindo: "Libetad", do Christian Chávez com participação da Anahí
Tempinho sem escrever, hein?! Outro dia comecei um texto, mas aí chegou uma aula importante, que eu não me lembro qual -deve ser física- e acabei perdendo o papel. Bom, quando eu achar, termino, como se vocês não soubessem disso que falei. Vai marcar a atemporalidade.
Estive pensando de como a seriedade nos faz vestir máscaras para que a gente se adeque a ela. Seja por medo do preconceito, ou a partir de atitudes que tomamos, ou pela profissão que seguimos. Acho que todo mundo, sem tirar ninguém, veste essas máscaras. É uma pena, porque nosso mundo já é tão distinto quanto a etnias e sexualidades, que a diferença de opiniões e jeitos e costumes só nos vão fazer crescer mais. Triste que ninguém tem coragem que tirar essa fantasia. Tudo por receio de ser detonado pelo resto. Não tiro a minha culpa. Também visto muito disfarces, omito, e, muitas vezes, minto ou ignoro. Tudo isso pra me sentir parte integrante.
E quer saber?  Mesmo fazendo isso tudo, acabo não me sentindo parte do todo. Por medo mesmo. Medo de não estar usando as máscaras adequadas, do jeitinho que a sociedade manda. Ou até pela própria sociedade. A gente esconde tanto, se faz tanto, que ela mesmo trata de nos rejeitar. Então, como fazer?
Não sei, já cansei de tentar entender esse mundo que a gente vive. Nós deixamos de fazer o que realmente gostamos para nos sentirmos acolhidos perante ao resto, mas o resultado: acabamos sendo ainda mais rejeitados. Parece que nos ignoram pelo simples fato de que vestimos essa armadura. E se a gente não vestisse?
Somos condicionados desde pequenos a saber como agradar as pessoas, não importando vai contra os nossos princípios. Com isso, ficamos com medo de nos apresentarmos do jeito que somos. Ficamos com medo de desapontar o outro, com medo de chocá-lo com nosso verdadeiro "eu". Só que não estamos aqui somente para agradar o outro. Estamos aqui, principalmente para nós mesmos. Temos, é claro, que preocupar com o outro também. Mas a vida é nossa. E nos escondendo, vamos acabar nos tornando infelizes. E o principal dessa vida, portanto, não é alcançado. O outro que trate de nos aceitar como somos. E nós temos o dever também de aceitá-los, ou melhor, de nos aceitarmos mutuamente. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Digital Monsters

Escrevi ouvindo: "Fugindo de Mim", do Wilson Sideral
Aula de redação. Nada mais justo que escrever, né? Mas acho tão chato esses temas que nos obrigam a dissertar sobre. Aliás, odeio dissertação. Odeio ficar me escondendo, expondo minha opinião, mas não mostrando minha cara. Sou muito mais um artigo de opinião ou uma crônica. Até acho que o que escrevo aqui pode ser considerado uma crônica. Crônica de um quase adulto aprendendo a viver. Ou é um gênero novo que não inventaram ainda. Quer dizer, mentira, já inventaram sim, só tô moldando ele ao meu jeitinho.
Jeitinho esse que me leva a cada lugar! Não sei onde eu vou parar. Porque se eu escrevo muito, acho que mostrei demais minha vida. Quando escrevo pouco, já fico com vontade de escrever de novo, porque penso que não cheguei no meu objetivo. E é isso.
Colocar boa parte da sua vida, ou uma parte importante, na Internet é algo muito arriscado. Não só através de blog. Por qualquer rede social... Ou por algum site acadêmico... sei lá. Você acaba vivendo mais a sua vida virtual do que a real. Fica dependente disso. Já quer saber se alguém veio falar com você ou colocou uma foto nova. Isso tudo poderia ser feito pessoalmente, mas a praticidade da Internet não nos deixam estabelecer essas relações de carne e osso. E cada vez mais aparecem novidades na rede. Novidades que nos prendem mais e mais. No fim de tudo, passamos uma boa parte de nossos dias na frente do computador. Tempo esse que muitas vezes a gente não tem disponível. Assim, sacrificamos uma parcela do intervalo que possuímos para passar mais tempo com o computador. Trocamos a convivência com o outro "real" pela convivência com uma máquina.
E de tão íntimos que estamos dela, já temos até amigos que moram longe. No Acre ou em outro país. E até nossos amigos reais estão se tornando virtuais. A falta de tempo é a grande culpada. Mas, se gastamos tanto tempo na Internet, por que não o utilizamos com encontros pessoais? É. Mais uma vez. Está comprovada aí a comodidade da Internet. Os amigos virtuais ou os reais virtuais compartilham tudo pelo twitter ou facebook e não ligam mais, não se vêem... Daí você passa a viver mais a sua vida na rede do que a sua vida de corpo. Você se transforma num vírus, num programa de computador.
Isso tudo se deve ao tanto de problemas que sentimos em nosso dia-a-dia. E tudo isso some quando estamos na Internet. Lá, nós podemos escolher o que fazer, as pessoas que iremos nos relacionar. Assim, tendemos a esquecer os problemas. Mas, tudo isso muda quando você aposta todas as suas fichas nela. A vida virtual vai se tornando tão parecida com a real que os problemas se tornam os mesmos. Tem gente que arruma namorado online, se decepciona. Ou há quem queira transportar aquilo que aprendeu com o computador para a vida real. E até quem fantasia muito sobre o mundo real. Nada disso dá certo. Porque, imagina, se uma vida já é difícil de se levar, imagine duas? Confesso que sou viciado, mas estou tentando mudar. Viver minha vida real em paz, ou virar de vez um digimon e entrar pro mundo dos bites.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dialética

Escrevi ouvindo "Rotina", da Thaeme Mariôto
Eu aqui mais uma vez na aula. Escrevendo sobre a vida. Não necessariamente da minha vida. Procuro juntar minhas experiências, colocando um pouco de dramaticidade, com coisas que imagino ou ouço por aí. Ou seja, meu texto não é totalmente biográfico. Talvez seja um roteiro que eu desejasse seguir na minha vida. Mas como nada do que planejo se concretiza, esse roteiro todo vai por água a baixo. Melhor, acho que não iria aguentar essa vida toda certinha, estabilizada. A confusão reina em mim.
Não sei, mas talvez eu iria gostar de ter uma vida monótona, sem grandes surpresas. Essas surpresas que acabam com nossos desejos, ou os alimentam ainda mais. Se a gente fosse condicionado à rotina, sem dúvida sofreríamos menos. Não iríamos nos decepcionar com as pessoas. Não teríamos novidades, estaríamos atrelados à realidade. E, quem sabe, seríamos mais felizes assim. Porque essas surpresas, essas fugas de rotina é que nos fazem sofrer. Então, se seguirmos uma meta, não saindo do caminho estabelecido, estaríamos construindo uma vida teoricamente mais feliz e sem preocupação.
Teoricamente. Pois a vida não é assim. Infelizmente. Ou felizmente. A monotonia iria nos matar antes do sofrimento. Ou melhor, a monotonia iria nos causar um sofrimento tamanho. Maior do que a gente já sofre nessa vida de altos e baixos.